Entrevista com premiada do Concurso Internacional de Fotografia PHotoFUNIBER’26

Entrevista com premiada do Concurso Internacional de Fotografia PHotoFUNIBER’26

Yinna Paola Higuera Bernal, que estudou o Mestrado em Educação, foi uma das vencedoras da sétima edição do Concurso Internacional de Fotografia PHotoFUNIBER.

Ela ganhou o Prêmio Especial FUNIBER, concedido a dois estudantes bolsistas da Fundação Universitária Ibero-Americana (FUNIBER) que participaram do concurso. As fotografias foram selecionadas pelo Júri de Honra.

Entrevistamos Yinna para saber mais sobre a fotografia vencedora e sua participação no concurso:

Toda grande imagem nasce de uma perspectiva particular. O que a inspirou ou chamou sua atenção naquele cenário e naqueles sujeitos, fazendo com que você decidisse que ele merecia ser fotografado?

Elvia e Virginia são mulheres da comunidade de Zuleta, no Equador. Fotografei esta imagem durante a festa de San Juan, uma celebração em que a comunidade se reúne para dançar, compartilhar e renovar seus laços.

Naquele dia, procurei minha amiga Elvia na multidão. Como não a encontrei, perguntei e me disseram que ela estava na cozinha. Lá a encontrei com Virginia, preparando comida para todos. Enquanto a celebração acontecia lá fora, elas permaneceram perto da fogueira, permitindo que outros se reunissem ao redor da festa.

A cena me fez pensar que a alegria coletiva também precisa ser cultivada. Por trás de cada festa, cada encontro ou cada comunidade unida, existem pessoas que dedicam seu tempo, seu trabalho e seu cuidado. Elvia e Virginia participaram da celebração de uma perspectiva diferente: alimentando, apoiando e tornando o encontro possível.

Quis fotografá-las porque, naquele gesto cotidiano, reconheci uma forma silenciosa e profundamente significativa de liderança. O trabalho delas não era o centro visível da celebração, mas era um de seus pilares. A imagem fala dessas ações que muitas vezes passam despercebidas, mas que sustentam a vida comunitária.

“Comida para todos”, foto de Yinna Paola Higuera Bernal

Considerando o alcance internacional da FUNIBER, que mensagem ou emoção você espera transmitir ao público que verá seu trabalho em diferentes partes do mundo?

Gostaria que a fotografia lembrasse às pessoas que a solidariedade e a construção de comunidade ainda são possíveis. Elvia e Virginia representam muitas pessoas que, por meio de ações discretas do dia a dia, contribuem para o bem-estar daqueles que as cercam.

Vivemos em uma época marcada pela polarização, pela pressa e por uma ideia cada vez mais individualista de sucesso. Em resposta, esta imagem propõe um retorno a uma questão essencial: o que estamos dispostos a oferecer para que a vida dos outros também seja possível?

A comunidade se constrói em grandes projetos, mas também em gestos aparentemente pequenos: preparar uma refeição, cuidar de alguém, compartilhar tempo, transmitir conhecimento ou estar presente quando outros precisam de apoio. Essas são ações que raramente recebem reconhecimento, embora sejam fundamentais para a preservação dos laços.

Espero que quem olhar para a fotografia possa reconhecer algo familiar, mesmo que pertença a outra região ou cultura. Talvez uma mãe, uma avó, um vizinho ou alguém que tenha sustentado silenciosamente sua comunidade. A imagem também é um convite para entendermos que nossa humanidade se fortalece quando paramos de pensar apenas em nós mesmos e abraçamos o cuidado como uma responsabilidade compartilhada.

Que conselho você daria a outros entusiastas da fotografia que estão pensando em participar do próximo concurso FUNIBER?

Eu diria para tirarem muitas fotos, mas, acima de tudo, para aprenderem a parar diante delas e se perguntarem o que significam. Uma imagem pode ser tecnicamente impecável e ainda assim permanecer vazia se não contiver uma reflexão, uma intenção ou uma conexão genuína com o que foi fotografado.

A fotografia não se resume a registrar o que está à nossa frente. É também uma forma de pensar, de abordar outras realidades e de tomar uma posição no mundo. Cada vez que enquadramos uma foto, decidimos o que mostrar, de qual perspectiva e quais histórias consideramos dignas de atenção.

Por isso, antes de participar de um concurso, eu sugiro que reflitam honestamente sobre o que os comove, o que os incomoda ou o que desperta sua curiosidade. As imagens mais impactantes muitas vezes surgem de uma relação contínua com os sujeitos e as pessoas, e não apenas da busca por uma fotografia marcante.

Uma fotografia ganha vida quando nasce da escuta e da reflexão. Quando a câmera deixa de ser uma barreira e se torna uma ferramenta de conexão, a imagem pode suscitar questionamentos, gerar empatia e nos permitir compreender o mundo em que vivemos de uma nova maneira.