Erik Simões, professor da FUNIBER, fala sobre as “Marés Vermelhas”

Entrevista com Erik Simões, Professor da Área de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da FUNIBER

Erik Simões é professor da Fundação Universitária Iberoamericana (FUNIBER) nos programas de Pós-graduação da Área de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. Também, é professor da Universidad Internacional Iberoamericana de Porto Rico (UNINI Porto Rico).

Possui graduação em Engenharia de Aquicultura e Mestrado em Aquicultura, ambos pela Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil). Sua experiência na docência e pesquisa permitiu ampliar seus conhecimentos sobre o fenômeno das “Marés Vermelhas”, assim como participar em diferentes projetos de pesquisa e importantes congressos sobre aquicultura.

Recentemente, a prestigiada revista “Journal of the Marine Biological Association of the United Kingdom” publicou seu trabalho sobre as “Marés Vermelhas”, onde analisa os riscos que podem causar aos consumidores de produtos do mar, principalmente de moluscos bivalves, como ostras, mexilhões, amêijoas e vieiras.

 “Marés Vermelhas”: Um fenômeno bíblico

A “Maré Vermelha”, conhecida cientificamente como Floração de Algas Nocivas (FAN), é um tipo de proliferação excessiva de microalgas, especificamente de dinoflagelados, que contêm um pigmento chamado piridina em suas células, conferindo uma cor avermelhada à floração.

Simões destaca em suas pesquisas que “o primeiro indício de uma floração de alga nociva data ao redor do ano 1000 a.C., relatado no antigo testamento (Êxodo, 7:20-21), onde é descrito que a água do Rio Nilo se tingiu de vermelho, aparentando sangue, ocasionando uma massiva mortalidade de peixes, tornando a água tão fétida que os egípcios não a puderam beber”.

A atividade humana é uma das principais causas da proliferação de algas nocivas?

A proliferação massiva de algas nocivas é causada pela combinação de dois fatores: luz e nutrientes. O segundo destes elementos pode ter origem natural ou pode ser consequência da atividade humana, mediante despejo de resíduos industriais ao mar, rios e lagos.

Por outro lado, ainda não há estudos suficientes sobre o efeito do aquecimento global neste evento, mas o Prof. Simões declara que “alguns cientistas destacam que este aquecimento pode, de fato, aumentar a frequência, intensidade e distribuição geográfica dos eventos de florações de algas nocivas”.

Um problema de Saúde Pública

O intenso crescimento das marés vermelhas tem um impacto pontual no ecossistema marinho ou em águas continentais, na área onde se produz. Cabe lembrar, que “nem sempre as florações estão associadas à produção de toxinas. No entanto, inclusive espécies que não produzem toxinas podem causar mortalidade massiva no ecossistema, seja pela obstrução das brânquias ou pela condição anóxica que este evento causa à área afetada”, declara o pesquisador.

Os moluscos bivalves (como mexilhões, ostras, amêijoas e vieiras) são os principais afetados, porque são animais sésseis, ou seja, que não se movem, e se alimentam exclusivamente de microalgas. Deste modo, a produção de compostos altamente tóxicos das microalgas se acumula na carne dos moluscos, e a ingestão destes pode ter diferentes consequências à saúde dos humanos, dependendo da toxina associada à floração, podendo causar desde fortes diarreias, paralisias e amnésia até mesmo a morte.

Em sua opinião, “esse evento é considerado grave em regiões produtoras ou extratoras de moluscos bivalves”, como é o caso do estado de Santa Catarina (Brasil), responsável por 90% da produção nacional do Brasil. Da mesma forma, o docente destaca que “Nos Estados Unidos, estima-se um impacto econômico da ordem de 82 milhões de dólares ao ano, relacionados com gastos em saúde pública e paralisação temporária dos setores pesqueiro e aquícola”.

Até o momento, a única medida preventiva implantada pelos diferentes organismos públicos e organismos internacionais é o controle das áreas afetadas, por outro lado não está sendo desenvolvida nenhuma medida para evitar a Floração de Algas Nocivas ou Marés Vermelhas.

O trabalho completo de Erik Simões sobre as Marés Vermelhas pode ser consultado no seguinte link:

http://fnbr.es/130

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Nota: o professor Erik Simões participa da rede universitária com a qual colabora FUNIBER.